quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

DONIDA NA DIVE!!

(Créditos da imagem: http://radioputzgrila.com.br/site/tag/matanza/)
[Donida é o primeiro da esquerda na foto] 

De vez em nunca, surgem bandas que fazem o terceiro mundista prestar atenção. Um som diferente, uma letra totalmente deslocada do que estamos acostumados a ouvir. Uma das bandas que fazem um som inusitado nesse Brasil é o Matanza. Há 20 anos tocando o terror, incomodando os velhos costumes e botando os jovens para afrontar os seus pais.

Conversamos com o mentor do Matanza, o guitarrista Marco Donida, um pacato headbanguer, com algumas respostas que não vão agradar os "prafrentex", ele revela sua forte opinião sobre tudo. Donida é aquele cara que você estará em uma reunião com pessoas próximas a ele, falando sobre outras bandas, que não o Matanza, e de repente você se toca, "Opa, você não é o Donida?".

Ele diz um sim com um leve sorriso no rosto, de quem não está nem aí se você vai o reconhecer ou não, mas, sabe que têm uma grande história no rock nacional.

Salve, Donida!

Confira a entrevista abaixo:




Dive Comunicação : Marco Donida, obrigado por nos conceder essa entrevista, é muito importante para nós estrear em uma entrevista de peso com uma personalidade tão importante no cenário do rock nacional.
Voltando no tempo, para 1996, se perguntassem para você, o jovem Donida daquele ano, que o Matanza após 20 anos de carreira, sete discos, algumas demos, tributos consagrados, seria uma das maiores bandas do Brasil, e teria essa enorme relevância por aqui, o que você diria?
Marco Donida: Eu diria para não apostar dez reais nisso. O Matanza era uma banda esquisita. Nunca nos encaixamos em nenhum tipo de "cena" e ninguém dava nada por nós.
Nunca imaginei que pudesse durar tanto tempo...
Dive: Como surgiu a ideia de fazer esse country-hardcore-bluegrass? Vocês ouviam muito essas músicas? Além da influência de Johnny Cash, quais outros nomes(artistas, bandas) vocês gostam?
Donida: A ideia surgiu espontaneamente. Nós passávamos o dia ouvindo Country e queríamos tocar algum som nesse estilo. Só o que fizemos foi acelerar o andamento e distorcer no amplificador.
Na época ouvíamos o básico: Willie Nelson, Merle Haggard, Waylon Jennings, Randy Travis, ZZ Top. Mas também muito Slayer, Nuclear Assault, Kreator, Destruction...
Dive: Como era a cena do rock nacional em 1996? A internet estava começando , a divulgação era um pouco mais complicada, mas o rock estava na paradas...
Donida: Era divertido. Havia Raimundos com Rodolfo, Planet Hemp... Bandas realmente legais faziam sucesso. Depois as coisas começaram a ficar estranhas e quem veio em seguida não nos dizia nada. As bandas "main stream" ficaram coloridas, escrotas...
Dive: Não faz muito tempo ,foi divulgado uma pesquisa, dizendo que o gênero musical rock 'n'roll, no Brasil não está entre as 100 mais tocadas em nenhuma rádio, o que você acha disso?
Donida: Tenho uma visão bastante pessimista sobre isso. Acho que o Rock já morreu mas ainda não sabe. Vai acontecer o mesmo que aconteceu com Jazz dos anos 30... Vai sobreviver no coração dos entusiastas mas não mais será a voz das próximas gerações, infelizmente.
Não teremos um novo Motorhead, um novo Black Sabbath, um novo Metallica. O Rock jamais irá causar o mesmo impacto como aconteceu nos anos 60, 70 e 80...
Dive: Ao mesmo tempo, podemos observar inúmeras bandas que fazem um bom trabalho, não devem nada a nenhuma banda gringa, o que você acha que é necessário para o rock decolar mais uma vez?
Donida: Não acredito que isso possa acontecer.
Dive: Conte-nos um pouco sobre cada álbum do Matanza; seu disco favorito do Matanza; sua turnê predileta...?
Donida: Não tenho favoritos. Cada um aconteceu a seu devido tempo, disse o que tinha de dizer e todos compõem uma obra da qual muito me orgulho.
Dive: Existe algum artista(ou banda) que você admire ,que ninguém imagina que você goste?
Donida: Existem centenas de grandes artistas que eu idolatro e que se encaixariam no perfil da sua pergunta...
Na música, por exemplo, sou doente por Mano Negra! Também pelos Blues Brothers John Belushi & Dan Aykroyd. Sou fascinado por HP Lovecraft, John Fante, Woody Allen...  Nos quadrinhos, Alberto Uderzo e René Goscinny, autores de Asterix. Moebius, Will Eisner, Laerte... Muita gente!
Dive: O diferencial do Matanza são as letras, a nossa integrante da Dive, Camila Pinheiro, fala do seu sentimento sobre "Mesa de Saloon":
"Quando escuto essa canção, me faz parecer estar lá naquele lugar, sentindo aquele pôr do sol, a poeira da estrada, dentro do conversível..."
Como foi para vocês gravar essa música? As composições são feitas pela banda inteira ou o Jimmy pelas letras e você, Donida, pelos arranjos, etc?
Marco Donida: Eu faço tudo. Faço as músicas já pensando no arranjo e escrevo as letras. Mas só funciona porque a banda tem um grande entrosamento e tudo flui incrivelmente bem. Do contrário talvez não tivéssemos chegado ao primeiro álbum.
"Mesa de saloon" foi uma experimentação do estilo Storytelling que é bastante comum na Country Music.
Dive: Você é responsável pela parte gráfica dos álbuns do Matanza, pelos desenhos, ilustrações, o que veio primeiro na sua vida: o desenho ou a música?
Donida: O desenho, sem dúvida. A música só aconteceu na minha vida porque é muito divertido estar numa banda. Não me considero um instrumentista. Nunca estudei nada de teoria musical. Só sei tocar as coisas que eu faço.
Dive: Você faz ilustrações, capas de álbuns para outras bandas também, a última que nós vimos foi a belíssima arte da capa para a banda Nervochaos, quanto tempo você demora para elaborar um desenho como esse?
Donida: Demora porque não faço isso profissionalmente. Tenho que pensar no que fazer e depois, descobrir como fazer. Não é um processo rápido.
Dive: Quais são os planos do Matanza para a comemoração dos 20 anos? Existe algum lugar no Brasil que vocês ainda não tocaram?
Donida: Não tenho certeza se deveríamos comemorar 20 anos em 2016 porque em 1996 não éramos uma banda. O MTZ era só uma desculpa pra sair e beber whisky. Talvez fosse melhor esperar até 2020 porque só nos tornamos uma banda de verdade com a gravação do Santa Madre Cassino.
Quanto aos estados do Brasil, creio que o Matanza já esteve em todos.
Dive: Donida, o seu afastamento das turnês, shows, tem algum motivo específico ou foi uma opção particular mesmo?
Donida: Foi por uma questão pessoal.
Dive: O que você acha dos haters da internet, que ficam pegando no pé do Matanza?
Donida:  Acho que poderíamos ter muito mais haters do que temos. Se estivéssemos na grande mídia, ocupando um espaço indevido seria pior mas existimos somente dentro do nosso próprio micro-universo. Haters nem sabem quem somos...
Dive: Como está a sua outra banda, Enterro? Planos para o segundo álbum? A formação ainda é a mesma, com o ex- baixista do Matanza, China, no line-up?
Donida: O Enterro já tem dois álbuns gravados. Esse ano pretendemos lançar o terceiro. O China continua, sim. É ele o compositor principal do material da banda.
Dive: O que o rock significa pra você?
Donida: Considero Rock uma música com conteúdo, que serve de plataforma para ideias, conceitos e questionamento. Uma ferramenta de expressão da sua individualidade, de seus pontos de vista e da sua análise crítica ao mundo que o cerca.
Não é algo feito apenas para sacudir a bunda, não é para acéfalos. Não é Bara, bara, berê, berê... E acho que é por isso está morrendo. A grande maioria das pessoas hoje não faz mais questão de pensar em coisa alguma. Estão felizes zombificadas pelas redes socias e aplicativos de celular.
Dive: Muito obrigado pela entrevista, Donida, se quiser deixar algum contato, ou falar alguma coisa, fique à vontade.
Donida: Agradeço a oportunidade.
HAIL SATAN!

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