segunda-feira, 28 de março de 2016

UM CINEASTA ROCK 'N' ROLL!


A primeira vez que encontrei Fernando Rick foi em uma das exibições do seu documentário do Ratos de Porão, sobre os 30 anos do disco clássico da banda Crucificados pelo Sistema. Após a exibição do filme, rolou um bate-papo com o diretor. No final, fui conversar com ele e entregar um álbum de uma banda. Um tempo depois, ele entrou em contato comigo elogiando a banda.

Aquele dia do evento no Cine Olido, eu fiquei vendo ele indo embora conversando com um gringo que tinha adorado o documentário e parecia querer levar o filme para o seu país. Eles devem ter ido tomar uma cerveja enquanto conversavam sobre o filme.

Fernando Rick é assim, um cara de fácil contato, desde que você tenha alguma coisa a dizer. Ele é tatuado com todos os seus filmes favoritos de terror, sua casa parece um santuário do cinema. É muito legal.

Nesta grande entrevista ele conta sobre seus projetos, documentários, curtas, filmes e videoclipes. Sua verborragia mostra bem o que ele é: um cara verdadeiro, sem muita frescura, que vai lá e fez os seus maravilhosos projetos que ficaram eternizados para aqueles que gostam de boa música e cinema.

Nós da Dive Comunicação assistimos em primeiríssima mão o desenho de um de nossos ídolos, o Crackinho, é de uma genialidade ímpar nesse país. É muito bacana você olhar para um trabalho de um cineasta, um artista e pensar em alto e bom som:" Esse aí vai longe!".

Valeu, Rick, são caras como você que ainda nos fazem acreditar na arte do Brasil.



Dive Comunicação:

Fernando Rick, como você começou a filmar?


Fernando Rick:Desde novo, eu era viciado em cinema, tinha uma coleção de vhs, filmes raros, uns bagulhos que ninguém tinha, desde molequinho.
Trocava fita com caras da Alemanha, os filmes não tinham nem legenda... nem sabia o que tava acontecendo,  comecei a acompanhar o trabalho de Peter Baiestorf, trocar vhs com ele, esses caras começaram com essas paradas aqui.
Eu ia colecionando todos os tipos de filmes , é igual com a música, quando o cara é viciado, ele quer fazer também.
Eu era muito fã da Troma, a primeira produtora independente de filmes de terror, ela é a maior dos Estados Unidos.  A mais antiga produtora de filmes ainda em atividade. A Troma inventou esses filmes trash que conhecemos hoje em dia, com a estética de muito sangue, cenas de sexo, etc.
Aí, eu pivete queria fazer meus filmes, juntei uns amigos e começamos a gravar umas tosqueiras. Rubão- O Canibal, o primeiro filme era uma bosta, mas deu uma repercussão...
Colocamos na trilha sonora do filme várias bandas de metal: Torture Squad, Funeratus. Saíram criticas em várias revistas especializadas em metal, Rock Brigade, e começou a bombar.
Na real mesmo, eu fazia os filmes mais com a intenção de juntar a galera e tomar cerveja.
Depois fizemos o Feto Morto, foi a época do começo da câmera digital. O Feto Morto foi o primeiro filme nacional independente que saiu em dvd. Aquele dvd que você grava em casa, sacou? Pegamos umas minas prostitutas, pra ter mulher pelada no filme, cobraram 50 reais de cachê.  No começo era assim: tudo pra tirar uma onda.
Mas aí a porra começou a ficar séria. Fui trabalhar com cinema profissional, fui ajudante de efeitos especiais do André Kapel Kurman. Acabei dando um tiro de festim na cara dele e acabou a parceria(risos).
Comecei a fazer outras coisas(nesse meio tempo), e aí surgiu tudo.

Dive: E você partiu para os curtas e os videoclipes?

Rick: Comecei a ter a ideia de fazer a parada mais séria, aprender e tal. Estudar mais cinema, e aí eu fiz um curta totalmente independente, O Colecionador de Humanos Mortos,

 acabou rolando em festivais, vários lugares, e com outros dois caras diretores de curtas, a Mutilation Records(gravadora de metal extremo) reuniu esses curtas( 3 Cortes), e aí caiu nas mãos do João Gordo, do caras do Ratos de Porão. Eles estavam gravando o álbum "Homem Inimigo do Homem", o Bernardo do Are You God?( atualmente no Elma), tava mixando o disco. Eu falei:"entrega pros caras lá, veja se eles querem gravar um clipe". Os caras curtiram . E fizemos o clipe de "Covardia de Plantão",



O clipe foi proibido. A Deckdisc(gravadora do Ratos) não quis liberar, por consequência a MTV também resolveu não exibir o clipe.
Virei amigo do João Gordo, ele comentou comigo:" Existe um monte de material do Ratos, tenho sacos e sacos de fitas, vamos fazer um documentário?".
Vários caras desistiram , porque era muita coisa, muita mesmo, aí a gente pegou e fez o Guidable.

Dive: O que veio antes(primeiro), Rick, a música ou o cinema?

Rick: O cinema veio antes de tudo, desde que eu me entendo por gente, eu já era fanático por filmes raros. Rato de locadora, tá ligado? Quando eu era muito novo, eu devia ter uns 8 anos, eu tinha muito medo de filmes de terror, não via nem ferrando, não dormia à noite... depois virou o contrário, fiquei mó viciado em filmes de terror. Não podia ver uma locadora , aquelas locadoras de bairro, antes de Blockbuster, ficava horas procurando os filmes de terror.
Só depois veio a música. Com 12 anos virei metaleiro total, todas as camisas eram do Iron Maiden. Ultra-metaleiro, eu era muito radical, mais pra frente fui conhecer o punk, não curtia nada além de metal, demorei pra abrir a cabeça, comecei a curtir Hardcore, e hoje em dia escuto desde Cartola a Extreme Noise Terror.

Dive: Nos conte um pouco mais como se deu o convite para fazer o documentário sobre o Ratos de Porão

Rick: Depois do clipe de "Covardia de Plantão", surgiu o convite, eu falei para os caras, sim, vamos fazer, mas como fazemos? Não temos dinheiro... O Gordo paga metade, eu pago a outra. Chamamos os amigos e fizemos. Eu não tenho equipamento, porra nenhuma, é tudo emprestado, ou alugado, ou na base do favor. Nessa época eu trabalhava na tevê Cultura... e aí era todo mundo ajudando.... o famoso "peloamordedeus"...
Fizemos umas 40 entrevistas, o filme demorou três anos pra ficar pronto. 2 anos foram só de edição. Tinha muito material. Até hoje é assim os meus trabalhos, com TV durante o dia, e noite adentro fazendo decoupagem do material.

Juntava os camaradas, ficava muito doido, e fazia tudo. O Marcelo Apezzatto, vocalista do Hutt, entrou no projeto eu já tinha começado a fazer o doc do Ratos, eu chamei ele pra tirar foto das gravações, uma espécie de making-off. A gente ficou brother, a ponto de ficar doido todo dia.

Chamei ele pra fazer o making-off das gravações, aí ele dava umas ideias boas. "Vamos fazer umas pautas juntos?". E assim foi, e ele assinou como co-direção do documentário.
Era muito material, os caras do Ratos tem registro de tudo, "Olha, Marcelo, pega esse saco de fitas aqui e vai pra casa e faz a decoupagem...", e o cara é louco, ele não usa computador(até hoje), anota em folha de caderno, em guardanapo de boteco.
O filme não custou nada, 2 mil reais, rendeu 7 mil dvds, ficou em cartaz em vários cinemas, ficou um mês no Cine Olido, participou de várias Mostras, viajei pra caramba com o filme. E compensa fazer um negócio barato que perdura. Conhecemos um monte de gente legal. Eu já era fã da banda, e fiquei próximo de vários caras até hoje.
O Jão(guitarrista do Ratos) tem um bar aqui perto(Fernando Rick mora na Consolação, próximo a Avenida Paulista), o doc abriu várias portas...
Dinheiro que é bom, ninguém viu! O Mozine( baixista do Mukeka di Rato, fizemos uma entrevista com ele, clique no link: http://divecomunicacao.blogspot.com.br/2016/03/um-dos-ultimos-herois-do-underground.html), lançou com o Felipe da Ideal Records. É aquilo: tem a parte do money do Gordo, eu, Marcelo, divide, divide, no final cada um compra uma cerveja e já era.

Dive: O que foi mais difícil encontrar os ex-integrantes da banda, a locomoção para outros Estados...?

Rick: O Gordo ajudou muito com esse negócio de encontrar vários nego que nem eles sabiam o paradeiro. Jabá, Spaghetti, ninguém sabia o que tinha acontecido com eles.
Viagem mais longa foi pra Santos gravar o Boka(batera do Ratos). E logo depois eles fizeram o show de 30 anos do RDP, e todos esses caras se reencontraram. Fizeram o show com cada formação da época do Ratos, os integrantes e ex-integrantes iam se revezando no palco. Mais tarde fiz o documentário de 30 anos do Crucificados pelo Sistema. Isso já foi ideia da Vivi, mulher do Gordo. O Guidable é tosqueira total, em PB-a maioria das imagens são em preto& branco, aí a gente foi aprendendo e os meus outros trabalhos ficaram mais profissional.

Dive: Muitas histórias engraçadas, diferentes(inusitadas) envolvendo o doc?

Rick: Teve várias... quase milhões de overdoses, todo mundo chapado, treta... coloca um monte de louco juntos, dá nisso!

Dive: O Guidable mostra muito consumo de drogas, alguma coisa ficou de fora? A banda vetou algum assunto? 

Rick: Eu tive uma chance única, poucas pessoas vão liberar a verdade, ser tão sincero em contar a sua própria história, sacou? Os caras não tiveram pudor de tirar nada da vida que eles fizeram... as coisas que a gente tirou mesmo foi pra ajustar o tempo do filme. Foi animal porque eu tive liberdade completa, de mostrar tudo , lavação de roupa suja, até hoje os caras são assim: bem transparentes, é o que eles são. Muita banda fala uma coisa e o cara na vida real é de outro jeito.

Dive: E os extras? 6 horas de material adicional, que loucura foi essa?

Rick: A ideia dos extras foi minha, o filme... o cara põe na internet, já era, vamos fazer o dvd barato... os caras da Monstro queriam porque queriam lançar o dvd a 45 conto, eu briguei, enchi o saco, eles queriam mudar a capa, eu já tinha conversado com o Gabriel Renner, ele iria fazer a capa, acho o trabalho dele genial, aí chegou a Monstro... o tal do
Márcio queria fazer uma reunião, chegamos na reunião, eles queriam mudar tudo, mudar a capa, queremos o Marcatti-eles disseram. Respondi: não, o filme é meu, vai ser assim, do meu jeito e pronto.
O Mozine falou:"não, nós conseguimos fazer barato, o lojista pode colocar o preço que ele quiser, mas na nossa mão é R$25, mesmo sendo duplo". Aí, ligaram na minha casa, alguém da Monstro, me xingando, "achamos que você mandava em alguma coisa", essas coisas. Meu, nego não tem dinheiro pra gastar 40 reais no dvd. Também não adianta fazer e ficar encalhado na prateleira. 

Dive: E a mensagem no final do documentário alertando sobre as drogas, etc, o que você acha disso?

Rick: Os caras usam drogas, usavam, hoje em dia é tudo bonzinho, vegetarianos, o pessoal da banda não come nenhum bicho. Eu concordo com a mensagem, porque mostra os caras cheirando cocaína, fumando crack, e mostra eles em situações absurdas, e a frase é aquilo mesmo, são um bando de cara cagado e se tivessem que ter chegado em algum lugar, já teriam chegado meso(risos). Por exemplo, a vó do moleque vai gostar de ver acompanhada do neto, porque eles não estão glorificando a droga. A banda quase acabou em função das drogas... O doc fala de desventuras. Todos os outros documentários que eu fiz é a mesma coisa. Droga é 60, 70% da vida dos caras.

Dive: Como foi realizar o documentário sobre o Gangrena Gasosa?

Rick: O Gangrena Gasosa é uma banda que foi feita para abrir um show do Ratos. Os caras eram tão fãs do Ratos, que precisavam fazer uma banda pra ficar perto do Ratos.
O Chorão 3, ex-integrante do Gangrena, ficou encantado com o Guidable, me mandou um e-mail gigantesco, falando item por item do documentário, cena a cena, o que ele gostou e tal.
Caramba, eu pensei, essa seria uma banda perfeita pra fazer um documentário.
Cheguei no Angelo(atual vocalista), que é o chefe de lá. A ideia nem era fazer um documentário, a gente queria fazer um projeto pro Sesc, de fazer um show 3D, colocar demônios, macumba. Fazer um tipo de um teatro. No papel o filme iria custar 150 mil, quem vai dar esse dinheiro pra esses caras fazerem isso? (risos). Então, vamos fazer um show e um mini-documentário intercalados durante o show-coisa que tá na moda. Aí, gravando, gravando, virou um documentário de 2 horas e um show de 40 minutos(risos).
Esse eu já sabia fazer, trabalhava com cinema, com tevê. Já tinha uma noção técnica. Fiquei amigo pra caralho dos caras também, mas tivemos muita dificuldade, porque todos são do Rio de Janeiro. Ao contrário do Guidable. E carioca é foda... tenho um monte de amigos cariocas, eu vivo lá, mas os caras não apareciam para as gravações. Os caras são relapsos, o nego vai te avisar que não pode ir na entrevista 8 horas depois. Eu até falei: ainda bem que não é um documentário sobre os Novos Bahianos, já pensou? 10 anos pra fazer um curta-metragem.
Tudo bando de doido também. E nesse eu já fui com o tiro certo, eu já sabia onde era o alvo, tá ligado? Um monte de maluco psicopata da zona norte do Rio, bagaceira pra caramba. Todos usuários de drogas, mas como nós falamos muito de droga no Guidable, nesse nós focamos mais nas loucuras dos caras. Na ideia da banda que é ultra-original, durante muito tempo a ideia foi mal executada, mas quando entrou o Angelo, o negócio começou a tomar outro rumo. Quando você vê o show dos caras no Circo Voador... é um monstro! Gravamos o show em São Paulo, e foi muito caro, a banda com 300 pessoas. Nós fizemos o crowdfunding, e só deu pra pagar o show em sp. O doc saiu umas 10 vezes mais caro que o Guidable.

"Mozine, lança aí, por favor!", ele nem assistiu, e falou com aquele jeito capixaba dele:"tudo bem, vai, vou lançar...".
Rolou duas prensagens, fora a pirataria... virei um amigaço do Angelo, ele ficou aqui na minha casa com a mulher dele no último carnaval. E estamos sempre com planos de fazer outras coisas, próximo dvd, etc... mas tô muito contente com o resultado no "Desagradável". Acho foda.



Dive: E as macumbas da banda, num país extremamente católico e agora evangélico, o que você acha disso tudo?

Rick: Sou ateu. Então, foda-se. Eu acho da hora. Caramba, a Vivi, mulher do João Gordo, me ligou dizendo que mostrou o documentário do Gangrena para os filhos, porque mostra o lance da cultura popular, da cultura do país. Nego gosta de falar desses assuntos, mas quando vê um despacho, atravessa a rua. Desmistifica um pouco e mostra que é mó alopração dos caras, não é sério.

Dive: E as loucuras dos evangélicos?

Rick: É uma merda. Não precisa ser ateu. Qualquer pessoa com um pouco de cérebro vê a merda que estamos passando. O país tá cada vez mais retrogrado , mais conservador, nego emburrece, fica brigando por PT, PSDB, é um monte de merda igual. As pessoas perdem tempo falando do que não gostam do que gostam. O prazer das pessoas é falar mal e não trocar ideia de coisas que gostam em comum. Não sou um cara muito sociável, de ter muitos amigos e tal. Ver gente pra mim é um saco. Por isso me abstenho de muita coisa.

Dive: Documentários sobre rock não são valorizados? Apesar de existirem grandes festivais de documentários como o In-Edit...

Rick: Não é valorizado porque não tem muita gente fazendo direito. Documentário musical em geral. Tem muito cara metido a artista, e o foco do doc acaba sendo uma coisa nada a ver, entendeu? Pouca coisa que é agradável de assistir. Mas, depende de como é feito o documentário, pode ser da Nina Simone, ou do Zeca Pagodinho. E igual ao Guidable, ao invés de falar sobre música, se for falar das histórias malucas das pessoas, vai interessar. 
O In-Edit é foda, sou muito amigo do diretor, o Guidable passou na primeira edição desse festival. O Gangrena teve uma sessão do Festival só pra ele, com show da banda. Os caras do festival trouxeram uma galera pra fazer um showzaço, com ex-integrantes do Gangrena, várias sessões lotadas no Cine Olido.
O In-Edit é muito bacana, são duas semanas em vários cinemas, é muita coisa legal. Deveriam ter mais festivais como esse.

Dive: Você está fazendo uma série para o Canal Brasil? 

Rick: Fiz uma série para o canal Brasil, com o Allan Sieber. É uma série de humor com o Allan Sieber, o cartunista. O nome é "Desanimação". Quase um reality show. A gente mandou o roteiro... foi aprovado, não é possível, pensei, ninguém deve ter lido(risos). Fala de crack, tem mulher pelada... nós não entendemos como foi aprovado...
É bizarro, depois eu mostro pra vocês...( A Dive Comunicação assistiu o primeiro episódio em primeira mão, é muito divertido,gostamos muito!).

Os roteiristas são insanos. O argumento é meu e do Allan. Rolinha(programador do Circo Voador), roteirista de uma pá de coisas legais, entrou na jogada. O cara é totalmente xarope.
Nós tivemos ajuda de muita gente bacana, porque o orçamento do Canal Brasil é pequeno. Em compensação, nós temos a maior liberdade do mundo, isso é impagável. A gente fala mal de um monte de gente, a gente critica muita religião, política. É uma série de 6 minutos, cada capítulo. Estreia em junho.

Dive: Voltando para os seus filmes, Rick, você pode nos contar um pouco mais sobre eles...

Rick: Rubão e o Feto Morto são tosqueiras. O que ficou mais sério foi o Colecionador de Humanos Mortos. O primeiro filme sério que eu fiz não é um filme de terror. Não queria(e não quero) só fazer filmes de terror, fica tachado ,né, velho? 
O "Ivan"é um curta, um drama. Fala sobre um ator de teatro ferrado, que mora com um travesti. Critica a religião. Ele tenta viver da arte, mas ele só se fode, no cortiço dele tem o Michael Jackson cover(interpretado genialmente por Márcio Américo). E no final ele usa toda a desgraça e monta uma igreja. Sim, é o André Cecatto( A Dive já assistiu várias peças do Mário Bortolotto com ele), grande ator, mas hoje em dia ele tá morando a rua. Mas é isso, ao invés de ajudarem o cara, nego dá dinheiro pra igreja, dá dinheiro pra um monte de gente rica.


Agora eu fiz um novo curta. Voltei a fazer um filme de terror. "Embaraço", o nome . A ideia era fazer um filme com pouquíssima grana e uma atriz só num quarto. É uma mina que tenta abortar durante 7 meses,ela não consegue, e ela vai morrendo, e tudo vai apodrecendo. Acabou sendo o meu filme mais caro. 

E hoje em dia o politicamente correto, não pode abortar, não pode fumar maconha, o militarismo da igreja evangélica, e a porra da mina do filme tá fudida, o Estado não luta pelo bem estar das pessoas, pela saúde, ao invés de ajudar, ele põe acima de tudo do cidadão: a politicagem, a religião, e o filme é uma crítica sobre isso. Vou fazer o circuito com os festivais durante 2 anos. Vamos ver os resultados... Todo mundo que assiste ao filme fica assustadíssimo, mina que chora vendo, porque o tema é muito forte, a mina que faz a personagem é cabulosíssima. Vai dar o que falar....

Dive: Tem planos para próximos documentários?

Rick: Não quero fazer documentário tão cedo, porque ocupa todo o seu tempo. Fica 2 anos fazendo o filme, e as pessoas achando que você não está fazendo nada. Não quero ficar tachado como documentarista. Faço clipes, curtas, filmes de terror. No ano passado fiz um clipe com Dennison Ramalho, o maior cineasta de filmes de terror, na minha opinião ele é o melhor depois do Mojica. Nós dirigimos o videoclipe de uma banda chamada Marrero. Carlos Eduardo Miranda que nos chamou. 
Fora isso, eu tenho feito um monte de trampo, frila, a ideia agora é ver o que vai acontecer com o "Embaraço". Tenho ideia pra vários roteiros, sempre argumentos atípicos que causem curiosidade nas pessoas. Temas que o pessoal tem medo de mexer. Tô desenvolvendo dois roteiros com o cara que fez o "Desaminação", também para o Canal Brasil. Não consigo ficar parado, sou hiperativo, se eu fico parado, dá merda.

Dive: Fernando Rick, o que o rock significa pra você?

Rick: Atitude. A atitude do punk, oposição, o questionamento, fazer as coisas da sua cabeça; do it yourself, ir pelas suas ideias, não ir pelas ideias que colocam na sua cabeça. Ter ideias próprias. É a transgressão. Hoje em dia o que você vê menos no rock é a contestação. Hoje em dia você vê isso mais no rap, no country de raiz.
Pra mim o country e blues sempre foram mais transgressores.
O rock é isso, ir contra a maré...

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