quarta-feira, 13 de abril de 2016

VOANDO COM OS GIGANTES DO METAL


Você já assistiu o filme Quase Famosos? Um adolescente de 16 anos na década de 70, começa a cobrir os shows de Led Zeppelin, Black Sabbath para as revistas da época.
Essa história é verídica, o próprio diretor do filme, Cameron Crowe, foi esse precoce genial jornalista.

Por que estou falando isso? Porque foi assim que comecei a minha história no jornalismo e assim que comecei a minha história com o Marcus D'Angelo, guitarrista e vocalista do Claustrofobia.

Não entendeu? Eu explico. O ano era 2002 , eu cabulava aulas no colégio para ir assistir o filme Quase Famosos. Já amava o rock. Já conhecia o Claustrofobia. Após assistir o filme, eu pensei olhando para o meu uniforme escolar: É isso que eu quero ser na vida! Jornalista de rock!

Corta, passamos para 2016, fiz uma entrevista com o Marcus( http://divecomunicacao.blogspot.com.br/2016/03/entrevista-historica.html), repercutiu legal.

Entrei em contato com ele, e contei a minha história com o filme, com a banda, e que eu desejava cobrir o show do Claustrofobia no Circo Voador, abertura para o Soulfly, e quem sabe conhecer o Max Cavalera...

Mal sabia eu que todos os meus sonhos e desejos seriam atendidos, e muito, muito mais do que eu imaginava...

Embarquei de ônibus para o Rio de Janeiro, na quarta-feira, dia 6 de abril, um dia antes do show que seria realizado. Seis horas de viagem.

Quase não consegui dormir de quarta para a quinta. Um calor absurdo, e a minha mente não parava imaginando milhões de coisas que poderiam acontecer no show...

Acordei na quinta-feira, fui olhar o whatsapp, nada de mensagem do Marcus, eu havia falado pra ele me avisar que horas eu poderia ir para o Circo Voador. Comecei a ficar apreensivo.
Mas lembrei que ele tinha escrito que o meu nome e rg já estavam com a produção.

Então, resolvi ir até o Circo Voador antes de qualquer mensagem dele.

Peguei um metrô, nunca tinha andado de metrô no Rio, gostei e dei sorte por ter pego a linha que ia direto para o Circo. O nome da estação que eu desci era "Cinelândia". Era um bom sinal. O nome da gráfica do meu primo localizada desde 1930 no centro de São Paulo.

Cheguei às 16:30 no Circo Voador. Alguns headbanguers estavam rodeando os famosos Arcos da Lapa. O Marcus me mandou um áudio dizendo que só iriam chegar lá pelas seis da tarde(ou seria da noite?).
Resolvi entrar, vai que eu dava sorte e pegava a passagem de som do Soulfly.

Gostei muito do aspecto do palco, o lugar é fantástico, um verdadeiro circo no ar! Lendário lugar, onde as maiores bandas de rock, e de todos os estilos musicais tocaram por lá. Uma das casas mais famosas de música do Brasil. Me senti privilegiado em poder estar ali olhando o lugar vazio , praticamente só pra mim. Pude até carregar o meu celular na tomada do bar(risos).

Os técnicos de som do Soulfly ajustavam tudo para deixar redondinho o espetáculo brutal de metal.

Uma hora apareceu um cara de dreadlock perto da escada que dava acesso ao camarim, eu achei que era o Max Cavalera, depois fui me ligar que era o Baffo, vocalista da banda Capadocia, que também iria se apresentar na mesma noite. Baffo com a sua mulher, Damaris, são também os organizadores de toda a turnê do Soulfly pela América Latina. Muito legal conhecer os dois.

Os caras do Claustrofobia chegaram, conheci "O Quinto Beatle" ou o chefinho, é  assim que a banda Claustrofobia chama o Bruno D'Angelo, irmão do Marcus e Caio(baterista do Claustrofobia), ele é o empresário da banda, uma espécie de faz tudo. Neste show no Circo Voador ele ficou no merchan... fiquei impressionado com a qualidade das camisas do Claustrofobia. Acabei ganhando dois adesivos do Bruno. Já estão colados pela minha casa.

Os fãs começavam a chegar. Desesperados para tirar foto com o quarteto que só tinha tocado no Rio uma única vez em 20 anos de banda! Um dos fãs chegou a berrar:"Por que vocês só tocam em São Paulo? Tem alguma coisa contra o Rio?". Algumas belas garotas assediavam a banda querendo um autógrafo, comprando cds, camisetas, dvds e perguntando o que ia rolar no set-list do show.

Fui convidado a subir ao camarim dos caras. Nem acreditava no que eu estava fazendo. Uma das minhas bandas prediletas, que desde os meus 15 anos acompanho, estar indo ao backstage. Ajudando no que foi preciso. Trocando ideia com os caras como se fossem meus amigos de muito tempo.

 
Um intruso no meio da banda.

Enquanto estávamos organizando as coisas para poder entrar no palco, a banda Capadocia começou o seu show com tudo, divulgando o metal do ABC(São Paulo) para o Circo Voador. Baffo e outros integrantes do Capadocia fizeram shows com o Claustro há muito tempo, os músicos conversavam sobre experiências em lugares pequenos, que a antiga banda de Baffo, a Returnn , realizou com os caras do Claustrofobia quando todos ainda eram menores de idade.

Ao término do show do Capadocia, o Claustrofobia começou a se aquecer para o show, o novo integrante da banda, o guitarrista Douglas Prado iria fazer o seu quinto show com a banda, ele com 18 anos é o garoto prodígio da banda. Parece que a rapaziada do Claustrofobia conhece essa história... Douglas ficou o tempo todo dando umas palhetadas na sua guitarra, resultado: quebrou uma corda faltando alguns minutos para o Claustrofobia tocar.

Marcus dizia:"é bom, é bom pra ele aprender, mais uma experiência... deixa ele se virar...". Mas é claro que, gente boa do jeito que é, Marcão ajudou o seu pupilo.

"Pedro, tá aqui essa câmera, é do nosso técnico de som, Cristiano Schneider, não deixa ele ver que está com você, ele me mata!".

Era isso que iria acontecer, meus queridos leitores. Eu que até pouco tempo atrás trabalhava em empregos que não tinha nada a ver comigo, estava em cima do palco filmando uma das maiores bandas de metal do mundo... Nunca tinha visto um show do Claustrofobia do palco, era óbvio.

E ainda o Caio vira pra mim durante o show e fala:"se quebrar minha baqueta, por favor pegue naquela mala cinza...".

Marcus pediu para eu pegar a guitarra dele que estava no camarim durante o show, era a hora da troca de guitarra.

Nunca imaginei...

O show do Claustrofobia foi destruidor como sempre, ouso falar mais até do que o Soulfly. Talvez seja uma questão de gosto, mas é difícil comparar uma banda que está há 20 anos praticamente com a  mesma formação(só no ano passado o guitarrista Alexandre de Orio que estava desde o primeiro disco, saiu da banda, dando lugar ao seu aluno, Douglas Prado, que já era habitué dos shows e fazia jams com os caras do Claustrofobia desde os 12 anos), com uma banda que a cada disco muda seu line-up. É natural, é como se fosse um time de futebol que joga junto há 3 anos, e um que se conheceu há 2 meses, nem fez pré-temporada e quer ganhar tudo.... 

O Claustrofobia abriu o show tocando a "Intro", eu creio que deve ser a Intro da turnê do novo disco, porque a "Intro" do último disco seria tocada na última música, seria tocada... já já eu explico melhor...

"Bastardos do Brasil" levantou o Circo Voador, alguns fãs diziam que só estavam lá para ver o Claustrofobia. Deve ser gratificante ouvir isso de um fã tendo o Max Cavalera fechando a noite.

Daniel Bonfogo(baixista) agitava a sua vasta cabeleira e fazia uns backing vocals perfeitos, eu que estava ao seu lado filmando pude ver toda a fúria. Quando o Claustrofobia começou a tocar, eu fiquei pensando em outras bandas que se acham as maiores do mundo, que ainda precisam ralar muito para se igualar ao poder do Claustro. Eu falo da música, e eu falo de como se comportar perante o público. Não adianta se fingir de humilde, e achar que a sua banda só não está no Rock in Rio porque você não tem os contatos certos.... não, meu chapa, você precisa ralar muito, lançar 6 discos e talvez quem sabe os deuses do metal vão gostar da sua cara.

Caio D'Angelo é um dos maiores bateristas do metal, nunca me esqueço em um show no Outs, em sp, um cara na plateia gritava:"olha esse batera, olha esse batera!". Caio me contou que após ter quase passado dessa para uma melhor(ou pior) na Alemanha, onde ele pegou uma infecção no baço e precisou ser operado, ele parou com as loucuras, e a vida está muito melhor agora.

Quando a banda já tinha passado da metade do show, tocando quatro músicas do último disco "Peste", tendo executado a clássica do segundo disco, "Thrasher", do disco do mesmo nome, "War Stomp" do álbum "I See Red", e a releitura de "Rapante" dos Raimundos, veio a nova chamada "Paulada", onde antes de anunciar a música , Marcus disse:"esquerda, direita, é tudo a mesma merda, queremos que esse sistema se foda!". A canção é uma paulada mesmo, aguardemos o novo disco que será lançado no próximo semestre.

Ainda faltavam umas cinco músicas, quando o integrante americano da trupe do Soulfly começou a falar que seria a última música, ou melhor: ele nem queria que o Claustrofobia tocasse a última música. Ficou falando pra mim que já tinha acabado o show. Eu dizia pra ele, last, last, ele nem queria saber. Eu presenciei o que ocorreu: onde mais uma vez uma banda brasileira é mal tratada por esses gringos. Eu não sei o que rola.... se é medo que a banda esteja "roubando" o show(quando comentei isso com o Marcus, ele disse:"Mano, é o Max Cavalera, não tem essa de roubar o show")  da banda principal, que a bem da verdade, depois de um show do Claustrofobia, é difícil qualquer banda tocar. O Claustrofobia chegou cedo no Circo Voador, não pode passar o som, teve que ser tudo de última hora. Enquanto que os gringos deitam e rolam em cima dos brasileiros. Por isso acho justo quando no Rock in Rio III algumas bandas brasileiras desistiram de tocar, estão mais do que certas. Tocar pra ser humilhado? É melhor não.

Mas o Claustrofobia já é macaco velho e sabe que é quase sempre assim, nas palavras do Marcus:"estamos acostumados, eles não sabem que é pior pra eles, entramos com mais ódio nessa porra!".

O Claustro incendiava o palco com a "Pinu da Granada", ainda faltava o final do show, quando o gordão técnico de som(roadie, sei lá que diabo esse cara é) começou a gesticular que não, não, e não, tinham que acabar o show, e aí: cortaram o som do Claustrofobia! Um verdadeiro absurdo.

Marcus não perdeu a oportunidade e falou pra galera:"esse gordo é chato pra caralho, e tesourou o nosso show....", o público não perdeu tempo e começou a xingar o lindo gordinho. Foi foda.




Fomos para o camarim. E logo depois soubemos que uma garota que se jogou do palco, tinha quebrado a perna durante o show do Claustrofobia e queria tirar uma foto com a banda. A menina estava com a adrenalina a mil, porque ela só sorria. Nas redes sociais ficamos sabendo que ela quebrou o fêmur, e também recebeu a visita de Max Cavalera e da Gloria Cavalera. Quebrou o fêmur, mas ficou feliz da vida. Eu vi quando ela subiu no palco e deu o stage diving , foi ao meu lado, e quando ela caiu no chão, pensei na hora: "deu ruim".

Chegava a hora de conhecer o Max Cavalera. Marcus perguntou para a Damaris se podia dar uma palavrinha com o ídolo de todos. Ela liberou, e chamou Alex Palaia(produtor também do evento) para levar toda a crew para encontrar com Max Cavalera.

Eu juro pra vocês que até hoje ainda não caiu a minha ficha... quando estava subindo as escadas para o camarim do Max Cavalera, eu meio que fui pra outra esfera e falei comigo mesmo: Caramba, e agora? Eu não sei falar muito bem inglês...
Na minha cabeça, o cara é tão importante pra mim que eu precisava saber falar inglês pra falar com ele. Fiquei feliz ao lembrar que poderia conversar com ele em português(risos).

Fui o último a cumprimentá-lo, dei a mão pra ele, ele me deu um abraço! Todos falaram com ele. O Claustrofobia entregou um disquinho com cinco músicas novas. Eu entreguei o álbum das bandas Muqueta na Oreia e Válvera. E uma matéria do Globo que tinha sido publicada no mesmo dia, perguntei pro Max se ele havia lido, ele respondeu que não... foi uma coisa surreal. Eu disse a ele:" Max, obrigado por tudo...", queria ter falado muito mais coisa, mas é difícil, agora escrevendo essas memórias eu estou ansioso, imagine na hora...

Daniel do Claustro disse que também não sabe o que falar para o Max. Bom, se ele que já encontrou com o Max algumas vezes fica assim, músico, acostumado a encontrar ídolos, eu estou tranquilo(risos).

Após isso, eu já me sentia realizado, se eu nunca mais assistir um show de rock na vida, eu vou estar contente, tudo isso que aconteceu , como disse acima, foi bem mais do que eu esperava, se um dia me falassem:"Você vai estar no mesmo palco que o Claustrofobia, vai conhecer o Max...", eu iria achar que era uma pegadinha.

Mas ainda havia o show do Soulfly....


Foi muito bacana acompanhar o show ao lado da família D'Angelo. Pais orgulhosos de seus filhos. O show do Soulfly foi uma aula de metal. Marc Rizzo(guitarrista excepcional) há mile anos com o Max, é o seu braço direito, seja no Soulfly e no Cavalera Conspiracy. Max para essa gig da América do Sul, trouxe um baixista autêntico do metal anos 80/90. Pelos menos foi o que pareceu, ele se mexia como Steve Harris e James Hetfield. E na batera, um cara cheio de groove. Agradou a muita gente.

Max tocou músicas de quase todos os seus discos. Fez um momento solo; ele e a sua guitarra( a mesma que dizem que não toca porcaria nenhuma, a mesma só com 4 cordas, criada especialmente para o Max, ele conta uma história que uma vez o pai de um fã ligou reclamando que a guitarra só veio com 4 cordas...) tocando clássicos do Sepultura, e do metal.

Para fechar a noite, Marcus subiu ao palco e cantou "Ace of Spades" com o mestre.
"Me passou um filme pela cabeça, foi animal!", Marcus contou para esse que vos tecla.

Definitivamente, no Circo Voador, no show do Claustrofobia e Soulfly, eu me senti um verdadeiro jornalista voando com os gigantes do metal...
 
Max Cavalera e Pedro Pellegrino. Italianos( e palmeirenses) com o amor verdadeiro pelo metal.

Obs: As fotos não ficaram muito boas, a fotógrafa(Camila Pinheiro) da Dive não pode ir ao evento, mas fica aqui o meu eterno agradecimento a ela.

Ps: Obrigado ao Claustrofobia e a minha família por tudo.

2 comentários:

  1. Esse é outro show que eu queria ter ido, conhecer o MAx de perto e rever os caras do Claustrofobia.

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